Apresentação

Histórico
Em 2011, três associações antropológicas, EASA, ABA e AAA, decidiram iniciar conjuntamente uma variedade de projetos colaborativos pilotos que, contrariamente à criação de uma pretensa hegemonia, visam estimular a construção de uma antropologia global. O primeiro projeto constituiu-se por uma série de atividades em reuniões acadêmicas (ABA 2012, AAA 2012,IUAES 2013) sobre a temática de Desplazamientos y desigualidades/ Deslocamentos e desigualdades/ Displacements and inequalities/ Déplacements et inégalités. Agora, estamos nos voltando para um formato diferente, focalizando um tema diverso e adicionamos uma quarta parceria – a da Casca

Tema

Este seminário virtual pretende explorar a centralidade da língua na produção do conhecimento antropológico e seus aspectos políticos a partir de dois pontos de vista que, embora diversos, apresentam-se interconectados:

  1. A língua é central ao encontro etnográfico e estabelece as bases para uma interação a longo prazo que é potencialmente desigual. Os antropólogos e as antropólogas podem decidir sobre como representar o conhecimento que produzem (em que língua, em que modalidade comunicativa, em que gênero, por qual meio) e também quais são os espaços comunicativos a privilegiar. Isto implica em questões de poder, expropriação e muito possivelmente em falsas representações que trazem em seu bojo conseqüências importantes tanto para as políticas institucionais quanto para a práxis. Quais são as conseqüências políticas e epistemológicas para a questão da língua?

  2. A circulação global do conhecimento antropológico e as resultantes mudanças nas relações de poder têm chamado cada vez mais a atenção dos antropólogos e das antropólogas. A criação e expansão de organizações internacionais, como o Conselho Mundial das Associações Antropológicas (WCAA), expressa o compromisso por uma maior inclusão e resistência à centralização e à hegemonia. No que tange a esses desenvolvimentos, os antropólogos e antropólogas estão se interessando cada vez mais pelo papel desempenhado pela digitalização, pelos novos meios de comunicação e por métodos inovadores na distribuição do conhecimento. No entanto, precisamos dedicar maior atenção a um modo fundamental através do qual o conhecimento é construído, transferido e avaliado: a língua em suas diferentes expressões e tradições inclusive o papel do inglês como língua franca, ou seja, como dominador global.

Formato

Estabelecemos o seguinte formato para o seminário: quatro pesquisadoras (Bruna Franchetto, Penelope Harvey, Alexandra Jaffe e Christine Jourdan), representando cada uma das associações parceiras neste projeto colaborativo, disponibilizarão suas apresentações (em francês, inglês e português) entre os dias 1 e 25 de outubro de 2013. Os participantes em linha poderão enviar seus comentários e questões. No dia 15 de outubro de 2013 será realizado um evento ao vivo, onde quatro debatedores (Omar Ribeiro Thomaz, Benoît de l’Estoile, Salikoko Mufwene, e Petra Rethmann) deverão discutir com as apresentadoras suas contribuições. Durante os dez dias seguintes, o coordenador da sessão (Miguel Vale de Almeida) e a moderadora (Deirdre Meintel) deverão monitorar um debate em linha através de comentários enviados por escrito. O seminário será encerrado formalmente no dia 25 de outubro de 2013. Os participantes em linha poderão se comunicar em francês, inglês, português ou espanhol. Parte desse experimento constitui uma tentativa de se construir um ambiente multilíngüe que minimize a necessidade de tradução formal e interpretação.