Local Arguments for a Global Debate | Argumentos locais para um debate global

February 16, 2012

Local Arguments for a Global Debate

Guilherme Gitahy de Figueiredo

State University of Amazonas- Brazil

 

The WCAA initiative in creating this blog is laudable. It is very important that efforts be made to lay the groundwork for global debate in anthropology. However, it is important to know that to achieve this, it is not enough that anthropologists around the world publish in blogs or international journals.

 

In Brazil the biggest barrier to a global debate is not the language, but an international division of intellectual labor that makes the British, French, and American anthropologies more consumed than discussed. The role of central anthropologies unfortunately still seems to be to establish the premises of Brazilian anthropological work and debate. When these assumptions enter into controversy, these usually occur between followers of different Westerns orientations. Paradoxically, the debate seems more fruitful and creative when the topics are ethnographies of Brazilian themes.

 

Even when authors decide to counter Western premises with new theories, they are not read or taken seriously among their peers. Of course there are Brazilian theorists who are much celebrated. Numerous efforts have been made to build new schools of thought, consistent with national needs and interests. But a look at the references of Brazilian articles in the best journals would be enough to distinguish a strong tendency to quote Brazilian authors in relation to empirical matters and Western authors for theoretical guidance.

 

The organization of Brazilian anthropology according to external authors, currents and schools is a practice rooted in the intellectual life of colonial Brazil, when universities and publishers were banned and the new generations had to go and study in European universities. This indeed is not something specific of Brazil but is shared by most countries that were subjected to colonial actions, being accepted and even encouraged by the academies of hegemonic countries. Changing these habits is not easy, because they involve not only scientists. Paradoxically, the colonial customs are part of national history and identity. How can we build a “national” science if our own traditions are colonial? Below is an example taken from contemporary Brazilian research.

 

According to João Pacheco de Oliveira, concepts formulated by the colonial society and administration — for example the idea of “Indian” — in the conquest of lands and enslavement of black and indigenous peoples have become part of national history and identity by intellectuals and artists from the 19th century. Widely disseminated in schools and media, these ideas became unconscious assumptions that organize new intellectual productions. The proposal of Oliveira is the deconstruction of these ideas through genealogical research and historical anthropology, in collaboration with the peoples whose views are eclipsed by these colonial assumptions.

 

Perhaps a similar deconstruction should take place globally. The challenges are great and global ethnographic investigations into anthropological practices would be welcome in order to find out their underlying colonial assumptions and mechanisms, and thus begin to explore ways to shape more balanced modes of power in world anthropology.
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Argumentos locais para um debate global

Guilherme Gitahy de Figueiredo
Universidade do Estado do Amazonas – Brasil

 

É louvável a iniciativa da WCAA em criar este blog. É muito importante que iniciativas sejam feitas para se abrir espaços para debates globais na antropologia. Porém, é importante sabermos que para se alcançar isto não basta os antropólogos do mundo postarem em blogs ou publicarem seus artigos em revistas internacionais.

 

No Brasil a maior barreira para um debate global não é a língua, mas a divisão internacional do trabalho intelectual que faz com que as antropologias francesa, americana e inglesa sejam mais consumidas do que debatidas. O papel das antropologias centrais infelizmente ainda parece ser o de estabelecer as premissas do trabalho e do debate antropológico brasileiro do que o de contribuir com argumentos num diálogo entre iguais. Quando essas premissas são polemizadas, é por conflitos entre os seguidores de diferentes orientações ocidentais. Paradoxalmente o debate parece mais fecundo e criativo quando os tópicos são etnografias de temas brasileiros.

 

Mesmo quando algum autor decide contrapor novas teorias às premissas ocidentais, dificilmente é lido ou levado a sério entre os seus pares. É claro que existem intelectuais brasileiros, teóricos, muito celebrados. Inúmeros esforços já foram feitos para se construir novas escolas de pensamento, condizentes com as necessidades e interesses nacionais. Mas uma consulta às referências bibliográficas de artigos brasileiros nas melhores revistas seria suficiente para distinguir ali uma forte tendência à citação de autores brasileiros em relação aos referentes empíricos e autores ocidentais para as orientações teóricas.

 

A organização da antropologia brasileira segundo autores, correntes e escolas externas é um costume enraizado na vida intelectual do Brasil colonial, quando universidades e editoras eram proibidas e as novas gerações tinham que ir estudar nas universidades européias. Isto, aliás, não é algo específico do Brasil, mas compartilhado pela grande maioria dos países que foram objeto de ações coloniais, sendo aceito e até estimulado pelas academias dos países hegemônicos. Mudar esses costumes não é fácil, pois eles não envolvem apenas os cientistas. Paradoxalmente, os costumes coloniais são parte da visão histórica e da identidade nacional. Como construir a ciência “nacional” se nossas tradições próprias são coloniais? Segue abaixo um exemplo retirado de pesquisas brasileiras contemporâneas.

 

Segundo João Pacheco de Oliveira, conceitos formulados pela sociedade e administração coloniais – por exemplo a idéia de “índio” – em sua conquista de terras e escravização de negro e indígenas se tornaram parte da história e da identidade nacional por obra dos intelectuais e artistas a partir do séc. XIX. Difundidas amplamente em escolas e meios de comunicação, essas idéias tornaram-se premissas inconscientes que organizam novas produções intelectuais. A proposta de Oliveira é a desconstrução dessas idéias através de pesquisas genealógicas e em antropologia histórica, em colaboração com os povos cujos pontos de vista são eclipsados por estas premissas coloniais.

 

Talvez uma desconstrução similar possa ser feita globalmente. Os desafios são grandes e investigações etnográficas globais sobre as práticas da antropologia seriam bem vindas para se descobrir as suas premissas e mecanismos coloniais subjacentes e, assim, começar a explorar caminhos para formas mais equilibradas de poder na antropologia mundial.

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Global Arguments How Can Anthropologists Break Free of Citation Indexes?

1 Comment Add your own

  • 1. MackMillions  |  March 20, 2012 at 3:43 am

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